Sempre trabalhei muito na vida. Até cerca dos 24 anos na vida do campo, participando nas actividades agrícolas familiares. A agricultura de subsistência sempre envolveu o núcleo familiar e eu nunca fui mais que ninguém, pelo contrário, durante anos fui o único homem em casa, já que o meu irmão começou a trabalhar nas obras e depois numa fábrica. Cumpri 2 anos na Força Aérea Portuguesa e voltei à vida de sempre. Na época o serviço militar obrigatório na FAP eram 2 anos. Quando voltei não tinha terminado o Ensino Secundário, o que acabou por ser prioridade.
Terminei o Secundário em Queluz, próximo do Palácio. Fui vigilante no aeroporto durante muitos anos, o que permitia ter algum tempo para estudar. Assim fui seguindo até defender o doutoramento e fazer várias outras coisas na vida. Como disse, sempre trabalhei muito. Acredito que de momento ainda mais que em outras ocasiões. A conjugação da vida de professor com a de imigrante dá origem a jornadas intensas e longas.
A ideia segundo a qual o professor tem muito tempo livre é uma utopia. Claro que para alguns pode ser assim. Além da carga horária obrigatória participo em outros programas de pós-graduação como voluntário e em vários projectos de investigação e outras coisas mais. Tenho ainda orientandos de mestrado e doutoramento e participo de diversos eventos. A própria condição de professor visitante é exigente, pois necessito a cada ano de mostrar produtividade. Além do mais gosto muito do que faço. Deveria ter dado prioridade a um concurso, mas parar para me preparar não é fácil. No Brasil os concursos são exigentes. Sei pelo facto de já ter participado em diversos júris. O problema do visitante não é o volume de trabalho, é a incerteza. E eu não serei sempre jovem.
Este fim de semana prolongado ainda não parei. Tenho ainda actividades para amanhã. Tenho sempre algum artigo ou equivalente para terminar. Preciso terminar a organização de um livro, mas o último mês não foi fácil. Mas como diz a minha mãe "com calma tudo se consegue".
A imagem original é minha. Pedi ao Chatgtp para retirar o fundo. Por aqui é comum encontrar corujas, quero no Campus universitário, que fica a 100 metros, quer nessa área na qual tirei o original da foto, na chamada Árvore de Mirassol ou Árvore de Natal, pois mantém todo ano a estrutura da árvore de Natal.