Entre continentes

Anda tudo doido

A propósito de um recente crime alguém comentava, mesmo sem ler, que "são sempre os mesmos". Ao que parece o caso nem de perto, nem de longe tem essa alusão. É sabido que se refere a crime provocados por imigrantes ou ciganos. A polarização política tanto leva ao exagero por culpa quanto por desculpa. 

Não vamos ignorar duas coisas: o Estado, que se diz de direito, tem fechado os olhos às acções de alguns grupos. Não tenho qualquer simpatia por partidos radicais, o que afirma é a realidade constatada. Mas não pensem que fecha apenas os olhos aos ciganos, também fecha os olhos aos crime de colarinho branco, que por sinal são os que mais prejudicam o país.

O pequeno episódio que relato não chegou a tanto, mas são assim que começam as coisas. Nos episódios de Sábado para regressar à terra ao passar o chamado "pica", leia-se revisor, uma senhora não encontrou o bilhete e fez o maior escabeche. O senhor tentou resolver o problema da melhor forma. Cobrou a partir da última estação até ao destino. A senhora ficou a remoer. Mais adiante, por causa de uma estrangeira (não vi o rosto, mas era provavelmente inglesa) que não tinha bilhete e queria à viva força pagar através do MBWay, a tal senhora entrou em parafuso. Primeiro vamos falar do MBWay. Com tanto equipamento e meios de comunicação a CP não vende bilhetes pagos por multibanco ou MBWay, no Brasil qualquer transferência por Pix resolvia ao problema.

No meio desta questão do pagamento, a tal senhora, vamos distingui-la por ser idoso, gritou lá do fundo que pagava e começou a criticar o revisor "se era surdo" e começa aí uma troca de palavras bastante acesa. Não sei se chegou a ter empurrões. É certo que o revisor precisa ter mais calma, acredito que sejam episódios diários que stressam, mas a idosa estava completamente alterada. Quase espumava. A determinado momento encontrou o bilhete que tinha comprado em Lisboa. Nesse momento percorreu o comboio regional com a bagagem para confrontar o revisor. Comentaram que lhe deu um empurram antes de sair, não posso jurar pois não vi. Mas gritava que faria queixa do sr., etc etc. Pouco importa quem teve a culpa, a idosa estava completamente fora de si, perdeu a calma e irritou os outros passageiros. O que importa destacar é que as pessoas por qualquer coisa gritam e acham que têm razão. O mundo precisa de paz de serenidade. Não vamos deitar gasolina no fogo que arde.

A imagem é de 2018, tirada durante o percurso do comboio turístico do Vouga.

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