Entre continentes

Domingo musical

Não tinha planos, mas o Verão na aldeia é mesmo assim. Normalmente tem festas em tudo quanto é canto, e ainda estamos em Julho. Conhecia a programação, mas em resultado da mobilidade aceito geralmente a melhor oferta. Neste caso foi dose dupla. No final da tarde assisti ao conceito intimista de Luísa Sobral, noite dentro fomos ao concerto dos Xutos & Pontapés.

Gostei muito da forma como Luísa Sobral se apresentou. Voz, viola e outros sons do próprio corpo. Estava com os filhos na plateia. O repertório anda muito por música infantil, embora por vezes engane. Ao vivo é melhor que nos discos e na rádio/TV. Conta a história das canções, interage sempre com o público. Muita naturalidade, pura poesia e encanto. O formato é muito adequado à ideia dos concertos na aldeia, organizados pela Fundação Lapa do Lobo, na Lapa do Lobo. Tinha o relógio da aldeia a marcar o compasso, o que aumentou a dimensão rústica e serena do espectáculo. Obviamente, estava cheio de famílias em fim de tarde.

Já tarde, na outra margem do rio Mondego, terminava a EXPOH, em Oliveira do Hospital. Em tempos idos já vi por lá The Gift e outras bandas. Até Toni Carreira já lá fui ouvir. É bom dizer que foi um excelente espetáculo, mesmo os meus gostos sejam outros. Nesse ano, na semana seguinte teve um espectáculo com um dos filhos em Gouveia, esse foi simplesmente horrível. Mas a produção e actuação de Toni Carreira foi super profissional. 

Na noite de ontem, após às 23 horas, o palco foi ocupado pelos Xutos & Pontapés. Apesar da expectativa a entrada foi horrível. Os primeiros temas foram rock e solos em excesso, até mesmo para Xutos foi uma toada muito pesada. Convém dizer que Xutos já tinha visto em vários lugares, incluindo em Gouveia. Neste caso a novidade estava sobretudo na quantidade de pessoas presentes. Muita gente, o recinto ainda precisa de ser mais alargado. 

A actuação teve claramente um momento em que Tim percebeu que o público não estava a gostar. Tento tocar no limite do palco e ninguém lhe ligou. Não só por voltarem a ser Xutos, com menos solos de João Cabeleira e como dizia Tim "um espectáculo de rock sem uma balada não é um espectáculo de rock". Nem foi tanto isso, quando se viraram para os clássicos tiveram toda a emoção do público. A despeito das novas canções, nem é o facto de serem novas. No encore tocaram uma música sobre o ano de 1979, que levaram ao Rock in Rio, que foi bastante apreciada. No geral, chamados ao palco várias vezes, deram um espectáculo. As festas de Oliveira do Hospital continuam a ser óptimas.

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