A ideia de ter um passe de comboio que permita aos portugueses circularem por todo país é digna de aplauso. A forma que a medida está a ser aplicada revela impactos inversos aos desejados, podendo falar-se em fiasco. Já me tinha falado na ausência de bilhetes para quem simplesmente chega na bilheteria, desta vez apanhei por tabela.
É necessário monitorar os bilhetes reservados, sem isso não sabemos se é apenas ganância de alguns ou se realmente os portugueses que aderiram a esse tipo de passe estão a aproveitar a borla. Por outro lado, num país de turismo e com a possibilidade de nem todos os portugueses viajarem com frequência, ou seja, não terem passe, tudo isso sugeriria uma política equilibrada entre a procura na bilheteira e as reservas de quem possui passe.
Quem está provavelmente a beneficiar é o transporte rodoviário, o que não deveria acontecer, pois a medida incentiva ao uso do comboio. Não sei se teve aumento de preço em resultado das disputas EUA-Irão ou se a procura aliciou esse aumento. Depois, como digo, é o turismo. Para bem da Rede Expressos o terminal de Sete Rios estava cheio de gente e a Gare Oriente vazia, apenas "cheia" de passageiros descontentes. A mim causou-me enorme transtorno. Poderia ter antecipado a compra do bilhete, mas nunca se sabe se o avião atrasa.
A medida também falha por pretensa cobertura universalista. Os mais velhos, público que mais usa, são os mais prejudicados por dificuldade de acesso à Internet. Talvez a medida deva ser repensada. Tem muito turista de mochila e transporte público, para eles as férias podem estar estragadas. Da minha parte perdi umas 3 horas, além de andar a correr entre o Oriente e Sete Rios, isto por ter a sorte de haver um autocarro que chega às 19horas lá na terra.
A imagem mostra um momento da bilheteira vazia em Sete Rios, mas o embarque e desembarque estavam cheios. A situação da bilheteira também se deve à venda online. Foi o que fiz antes de desistir viajar de comboio.