A ocorrência de dois terremotos na Venezuela tem marcado a atenção mundial, não exclusivamente por ocorrerem dois fenómenos em simultâneo, mas pela destruição, até por terem ocorrido teoricamente à superfície. Depois das questões políticas e de tudo o que o povo tem passado, este tipo de fenómenos é devastador também do ponto de vista emocional.
Sempre tive muito medo de terremotos. Tinha 4 anos quando ocorreu o de 1969 em Portugal. Na aldeia não fez estragos, mas corremos todos para a rua. Toda a gente teve medo. Em pleno mês de Fevereiro ficamos na rua com a roupa do corpo. Lembro das vizinhas da frente e das nossas conversas. A minha mãe ainda se lembra das conversas.
Mais tarde, em Queluz a cama abanou sem parar. Sobretudo em Portugal o tremelique da cama aconteceu várias vezes. Não me lembro de ter largado tudo, como da primeira vez, para fugir para a rua. Mas precisamos estar preparados. Principalmente por não ser possível de prever e controlar é um evento que me inquieta.
Toda esta destruição tem impacto directo sobre a existência, podendo ser interrompida em segundos. Pode também colocar as famílias no momento zero das condições materiais, obrigando-as a reconstruir a vida do zero. Quem já vivia na extrema pobreza ficou sem nada. Tudo isso terá impacto nas próximas gerações. Espero que as promessas de ajuda internacional sejam concretas e urgentes. Tem que reze e dirija preces, respeito. Torço por essa ajuda e apoio à reconstrução. Precisamos dizer à Venezuela que não está só.
Até ao momento as notícias indicam que morreram 6 portugueses ou luso-descendentes. Sendo que todas as vidas importam. A imagem de capa tirei do site Getty Images.