Também uso inteligência artificial, mas não para escrever aqui. Aliás, nem aqui nem em lado nenhum. Aqui já usei algumas imagens, mesmo aí procuro evitar. As redes sociais estão cheias de textos produzidos com IA, que facilmente se identificam pelo uso enfático de determinadas palavras e pela construção de frases e parágrafos. Desisto logo de ler quando dou conta do formato.
Não, não sou um velho do Restelo quanto ao uso da inteligência artificial. Uso para primeiro aprofundamento de um tema, para sugestão de autores e teorias. É interessante também para ajudar a estruturar apresentações e organizar ideias. Mas depois pode ser tudo refeito e ter a componente humana presente. Sem esquecer da necessidade de verificar as informações dadas. Em pesquisa científica é comum a IA sugerir obras e autores que não existem. Toda essa verificação é fundamental. Tal como é fundamental indicar quando se usa IA. Deveria ser obrigatório também no jornalismo, na ciência é.
Apesar do lado positivo tem aspectos que é necessário acautelar. No caso do ensino a maioria dos alunos usa muito mal a inteligência artificial. Depois como que sujam o trabalho com a necessidade de informarem sobre o uso, quando na prática usam para banalidades, como pequena interpretação de dados ou síntese de entrevistas, podendo fazer "manualmente" e melhor. "Ah mas a IA permite analisar mais dados em pouco tempo", dizem. É verdade, só que quem não domina ou é um utilizador banal por vezes leva mais tempo do que fazendo "manualmente".
A expectativa é que com o uso as pessoas não deixem de ler e escrever por elas. Conheço situações em que as pessoas usam IA para responder a um simples e-mail informal. Se for para procurar algumas dicas sobre como responder a determinado e-mail formal faz sentido usar. Mas tem tanto excesso que assusta. Tirar o telefone das escolas pode ajudar, mas em outros níveis de ensino não é um processo fácil. No caso de apresentação em aula pelos alunos não tenho problema que usem, mas sempre que possível forneço um template para seguirem.
Na década de 1980, da minha juventude, o impulso era ao contrário. Ler e escrever ao máximo era o nosso princípio. Não havia Internet, tínhamos as cartas para pessoas que não conhecíamos. Usávamos bibliotecas, a compra de livros e discos era habitual. Alguns jornais também. Fiz isso tudo e cresci no Portugal rural, sem grandes meios financeiros e acesso aos mercados culturais. Na década seguinte colaborei com um jornal local. Na verdade foram cerca de 11 anos. Deixei de colaborar por mudanças no próprio jornal, mas na época já tinha ou participava em blogs locais ou regionais.
A imagem de capa é de uma das IA de uso mais corrente. Mas não falta o leque de oferta. Mesmo apenas com a função gratuita. Isto da IA já se viu que não é tudo para encantar, é sobretudo para pagar.