Partiu um dos últimos mestres que pensam a contemporaneidade. Edgar Morin deixou-nos do mundo físico para seguir para o plano da luz e da memória. Viveu muito e deixou uma obra enorme e diversa.
Era das últimas vozes sensatas a insistir na necessidade de mais empatia e humanismo, qualidades cada vez mais em falta. Nos últimos anos foi mais associado à teoria da complexidade, mas é bom lembrar as suas obras na área da educação e de forma geral em filosofia das ciências, especificamente em metodologia e epistemologia, bem como diversas reflexões sobre a crise do planeta e da Humanidade.
A transformação da ciência em produtos que contabilizam no currículo não está a favorecer o surgimento de grandes pensadores. Sem esquecer todos os fenómenos ligados à aceleração e a mudança do perfil do investigador e do aluno. As leituras agora são escassas, cada vez mais com a inteligência artificial. Resta Anthony Giddens, Slavoj Žižek, John Dryzek e poucos mais.
Na minha actividade sempre usei referências do autor. Tanto no debate sobre a complexidade e exigências de um saber interdisciplinar para dar resposta aos novos problemas, entre eles os ambientais. Como na questão metodológica e epistemológica em matérias e disciplinas com esse intuito. Precisamos fugir ao imediato e debater os grandes problemas do nosso tempo. A receita TikTok no máximo serve para fazer bolos, mas pode estar a desviar-nos da realidade.
Siga em paz Sr. Morin