Tenho saudades do comboio a chegar em casa
Mesmo distante no correr da linha
Por vezes é levado pelo vento
Chega no rasto da máquina e carruagens
No ressoar que balança nos carris
E do outro lado bate à porta como gente
O vento muda com a meteorologia
O comboio muda com o horário de circulação
Por vezes combinam e aparecem juntos
Rasgam o Planalto como quem ama
E anuncia sem temor o sentimento
Tenho saudades de esperar o apito da máquina em cima da ponte
De percorrer as travessas no passo a passo da adolescência
De identificar o destino como quem espera os passageiros
José Gomes Ferreira
P. S. A imagem é da Linha da Beira Alta. O apeadeiro já não existe. Encurtava a distância, mas da minha parte raramente o usava. A estação não fica muito distante e oferece mais condições de segurança. Tenho mais pena do encerramento da passagem de ninguém que se vê com barreiras a seguir. O local merecia uma passagem em túnel.
Sobre o comboio levado no sopro do vento ainda hoje acontece. Desde que eu estava na aldeia escuto. Ou então é relatado pela minha mãe. A aldeia tem uma parte mais elevada e depois desce para o Mondego. A casa da minha mãe fica do lado oposto, mas com o vento a favor parece que os trilhos estão ali ao lado.