Nunca desfilei nos Santos Populares, na verdade sou pouco dado a danças, mas nunca deixei de ir dar uma olhada e de conviver. Em Lisboa cumpri algumas idas à Avenida da Liberdade para assistir ao desfile dos bairros. Podem dizer que é para turista ver e o que é giro é depois nos bairros, em gosto do desfile. É cheio de charme, glamour e cultura de bairro. A única coisa chata é que no final é muita gente a querer ir embora. Também não se vai todos os anos. Quem gosta pode ver pela televisão.
Na terra tem apenas dois bairros no desfile, mas não falta convívio e boa disposição. No caso também nunca desfilei, mas andei sempre lá à volta da broa, sardinha assada e vinho tinto, com algumas histórias para contar, é sempre bom conviver. E em contextos mais pequenos todo mundo praticamente se conhece. É a amizade que também está presente.
No Nordeste, nas aqui chamadas Festas Juninas, já fui ver várias iniciativas. Nos primeiros anos é bem possível que até tenha dançado um pouco, a vida era mais solta. Em Natal na época tinha as chamadas quadrilhas, muito semelhantes aos nossos bairros. Em Campina Grande também tem quadrilhas, mas os trios de Forró pela cidade são muito interessantes, dão uma sonoridade e colorido ao Centro e outros bairros. Campina usa o slogan do Maior São João do Mundo, mas essa componente é em recinto fechado e é cada vez mais um festival de música. De Forró tem pouco. Este ano a polémica diz respeito ao máximo que os municípios devem gastar por artista, que anda por 500 mil reais, que mesmo assim é muito. Actuam durante 1 hora, ganham 500 mil e adeus, não fica benefício nenhum nas localidades. Um dos municípios está cheio de dívidas e previa gastar mais de 4 milhões. Não sei se a justiça já permitiu.
A imagem é do chamado Arraial do CDL Câmara de Dirigentes Lojistas) em Campina Grande, um pequeno palco no Centro por onde passa o forró popular, o tal pé de serra. Saudades de dar lá um saltinho, fica próximo onde morava.