Entre continentes

Que grande falta de educação 

Apesar do título, questiono-me se devo debater a embrulhada dos exames nacionais e as portas rotativas que os governos sempre têm com empresas ligadas aos próprios partidos ou se deva falar sobre a falta de água em Almada. São ambos temas que nos deixam de boca aberta e repetem problemas anteriores.

Nunca pensei que o formato digital dos exames fosse, na prática, a digitalização dos documentos em papel. Sempre pensei que o processo tinha sido amplamente digital. Existem formas de realizar exames dessa forma. Aumentar uns graus de complexidade a um processo já por si complexo é contar que "vai dar barraca". Só por milagre ou muita experiência dos intervenientes é que correria bem.

A cereja no topo do bolo vem do facto de a empresa responsável ter sido criada a la carte, sem experiência, sem escala e por pessoas do partido do governo. Essas portas rotativas entre política e negócios não é nova. Estamos sempre s cometer os mesmos erros. Não digam que um partido milagroso faria diferente, não faz e não faria. 

No caso da falta de água em Almada o problema é complexo e exige discussão nacional. Não comungo da ideia segundo a qual tudo se deve à permanência da gestão através dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS). Os SMAS poderiam simplesmente actuar em Baixa, recebendo em Alta água de uma empresa do grupo Águas de Portugal. Os municípios só por si têm maiores dificuldades em aceder a financiamento e a soluções que exigem pactos territoriais. Basicamente é isso que se passa. O município nem de longe é auto-suficiente. Por outro lado, as perdas no abastecimento andam entre 35 a 40%. Nenhum sistema de abastecimento é sustentável com essa porcentagem de perdas.

Almada tem a questão do turismo e multiplicação do número de moradores na época de veraneio, é outro aspecto a ter em conta. Não existem soluções chave na mão para resolver o problema. A abertura de mais um furo apenas adia a procura de soluções estruturais. Como disse. Podem passar pela aquisição de água em Alta, mas também pela dessalinização de água do mar, solução bem mais cara. As moradias e os condomínios podem igualmente contribuir para atenuar o impacto. A construção de cisternas para captar água da chuva é uma solução barata e com provas dadas no Nordeste brasileiro e não só. O mais importante é aliviar a demanda de água dos sistemas centralizados.

0