Entre continentes

Pequenos gestos e memórias

O movimento é por mais que pão e água. O ritmo de vida actual é um absurdo. Para irritação dos negacionistas, esse ritmo mata, não por teorias da conspiração, mas por afectar a saúde mental e ter repercussões ao nível da saúde em geral. No meu caso é a diabetes, mas também a arritmia, pese o facto do coração ter uma pequena anomalia herdade de família. Depois a velocidade também repercute sobre o cuidado com a alimentação, com o sono e até com a interacção social.
Tenho saudades de sentar numa simples esplanada a tomar um café e de na terra sentar numa eira que é um miradouro para a Serra da Estrela e a do Caramulo. Em Natal, sempre que posso vou tomar café a um centro comercial daqueles de primeira geração, com mais lojas fechadas que abertas, mas o café é razoável, barato e o local simula uma esplanada. Caminho 750metros só para ir tomar café, com outros de volta. É um momento para desacelerar. Viajar pelas ideias, representações e ausências. Claro que posso tomar café em casa ou mesmo na universidade ou outro local. Nenhum deles será uma mini fuga para olhar o vazio e aproximar-me do cosmos e da miragem da totalidade.
Sem fui uma pessoa que preza o equilíbrio. Sempre fui introvertido. Actualmente, como diz um amigo, sou um solitário sociável. A actividade profissional e o gosto pessoal colocam-me em permanente interacção. Ainda assim prezo o silêncio e os momentos de alienação no sentido dos espaços de fuga e paz. Claro que tenho ambição e frequente espaços agitados. Mas, não só pela idade, gosto de me reencontrar sem medo dos pensamentos. 
A imagem de capa é de flores de papel feitas pela minha mãe. Principalmente na última década também ela se tem reencontrado. Faz flores, croché e outras coisas mais. Depois sente-se feliz ao oferecer o que faz a pessoas das quais gosta. 

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