Estou a preparar uma aula sobre a questão crise climática como crise hídrica e não deixo de olhar para o relatório de 2025 da Fundação Nova Cultura da Água, uma entidade ibérica, mas mais activa em Espanha. Já participei em diversas actividades ao longo dos tempos. A reflexão que incluo é sobre as inundações no episódio catastrófica da chamada DANA. Tudo isso deveria ajudar a reflectir sobre a decisão de construir a barragem de Girabolhos, quando ficou claro que as cheias em Coimbra foram provocadas pelas água que entreram no Mondego através do Ceira, ou seja, a jusante de Aguieira e, obviamente, da futura barragem de Girabolhos. A tradução é do espanhol, mas podem verificar o original em link,
Propostas para uma gestão mais resiliente do risco de inundação – necessidade de uma mudança de paradigma:
- Passar do objetivo de evacuar para o de reter e dissipar: em vez de expelir a água para o mar o mais rápido possível — concentrando os fluxos e aumentando sua energia destrutiva —, todo o território deveria contribuir para reter, desacelerar e dissipar o escoamento de forma espacialmente distribuída antes que ele alcance os núcleos populacionais.
- Aplicar a solidariedade entre territórios a montante e a jusante: uma gestão centrada na retenção evita que algumas zonas sejam protegidas à custa de agravar os danos em outras.
- Passar de uma distribuição opaca dos custos para uma gestão baseada no interesse público: quando zonas agrícolas assumem inundações de baixa intensidade para proteger núcleos urbanos a jusante, os danos devem ser compensados por meio de seguros e orçamentos públicos.
- Deixar de se concentrar na execução de obras para passar a se concentrar em gerir mais e melhor. A mitigação de riscos não requer principalmente investimento, mas sim planeamento, capacitação, controle e inspeção; tarefas com uma relação custo-benefício muito superior à das obras cinzentas, mas que exigem reorientar os orçamentos públicos das infraestruturas para os recursos humanos e técnicos.