Entre continentes

Entre a serra e o mar

Apesar das viagens a Portugal é constante o deambular da saudade entre a serra e o mar. E não é uma serra qualquer, mas a minha Serra da Estrela, que venero na espiritualidade da paisagem e da paz que me confere. Um dos momentos que sempre repito nas idas à terra é a ida à Laje Grande, que além de eira é um amplo miradouro que apresenta a Serra da Estrela, a vizinha Serra do Açor e olhando para o outro lado a vista parcial da Serra do Caramulo. Além de paisagem é identidade, é pertença ao lugar, apesar dos nos últimos 37 anos residir em outros lugares.

Regresso sempre à terra e à Serra como regresso a casa. O regresso a mim mesmo, desde a génese à saudade da memória. São também os laços e afectos. Uma forma suave de viver e lembrar o quotidiano. Não o faço na perspectiva de que antes a vida era boa. Trabalhei sempre na agricultura, cavei muita terra, rachei lenha, segui com o motor para regar o milho. Era eu que seguia ao lado da burra. A carroça transportava quase tudo. Pelos meus 24 anos segui outro caminho, mas sempre continuei a ajudar quando tinha tempo.

É forte essa ligação. Obviamente, inclui os ancestrais e amizades de infância. Nos últimos anos a distância aumentou geograficamente. Não troquei o mar pela Serra, cada coisa no seu lugar. Ainda assim a beleza da natureza induz a uma calmaria interpretativa de cada momento. São muitas as viagens do coração, que segue firme na construção de um percurso firmado em escolhas que tragam felicidade e construção.

As imagens são da Serra da Estrela vista lá da terra e da praia de Ponta Negra em Natal, que passa por um momento caótico, pois o processo de "engorda da praia" com areia, depois de muita polémica e pouca escuta, deu mau resultado. Ao fundo o conhecido Morro do Careca,

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