Entre continentes

Empate com sabor a derrota

Não vi o jogo, nem acompanhei via rádio ou Internet. Os meus dias são intensos, não tenho tempo para nada. Também para não entrar em stress não tenho intenções de seguir nenhum jogo. Ainda assim, a principal questão é a confiança. Não gostei da insistência em fait divers recorrentes. A partida do avião e depois a chegada, pareciam Deuses. A versão Ronaldo modelo, quase todos pareciam numa passagem de modelos. Os treinos na praia e tudo em de redor. O uso da morte de Diogo Jota como uma pretensa procura de identidade. Tudo isso não me gerou motivação e crença. Não sei se faltou futebol ou crença, tem faltado foco. Heróis são os portugueses anónimos que lutam para ganhar a vida. Pouco me importa a idade de Ronaldo, pode até jogar bem. Mas a ideia de ter lugar cativo nos convocados é incompreensível. E eu até gosto de Ronaldo. Mas se é ele que manda podemos prescindir do seleccionador.

Cair na armadilha da comunicação social e dos órgãos nacionais do futebol foi outro erro. Todos acreditaram que Portugal é melhor que o adversário. Com tanta humildade fica difícil motivar verdadeiramente os jogadores. Nunca fui fanático por futebol, mas cada vez mais perco o interesse. O mesmo se passa com a política e com a religião. O futebol deveria ser a maior expressão do jogo colectivo, mas os jogadores estão preocupados com os fãs e com o patrocinadores, ou seja, ganham por outras vias. 

Depois Portugal tem esta toada de resolver as coisas no final de muita opção e de contar com as contas dos outros. Falta-lhe espírito vencedor de forma homogénea. Por vezes a seleção faz jogos brilhantes, outras é o apelo ao coração para aguentar. Quem ganha são as marcas de cerveja. Da minha parte evito, a minha diabetes é um risco diário. Preciso de paz de suavidade, estes acontecimentos têm um efeito terrível sobre mim. Vou torcer, mas foi um mau começo.

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