Hoje a minha aluna que recentemente perdeu o filho de forma extremamente dolorosa defendeu a dissertação de mestrado. Foram dois anos intensivos, mas ricos de de grande empatia e entrosamento. Não foi apenas uma pesquisa, foi o desdobramento de actividades, com participação em vários eventos e várias publicações. Foi também uma amizade. Costume dizer que os/as orientandos/as são nossos familiares, pelo menos durante o período de orientação. A proximidade é maior que com familiares diretos, isto sem interferir na vida pessoa, pois cada um tem a sua e dores de cabeça já chegam as que tenho, assim se diz. Conheço orientadores/as distantes, não faz o meu género. Claro que depende do perfil de quem se orienta, mas o ideal é que se começa a trabalhar junto desde o início. No caso comecei a trabalhar com toda a turma ainda não estavam distribuídas as orientações.
Na Universidade Estadual da Paraíba, com a qual continuo como professor colaborador, na pós-graduação colocaram-se em disciplinas relacionadas à questão metodológica. Não me assustei, pois já tinha leccionado alguns módulos e é um tipo de temática que sempre fez parte das preocupações. Os alunos quando iniciam o mestrado estão muito à toa. O conhecido Ensino Médio (equivalente ao nosso Secundária) têm uma formação de base muito deficitária no ensino público. Em causa está a qualidade das escolas, mas também os programas. Os alunos do primeiro ano da licenciatura em Sociologia da turma de 2025 não conheciam o básico de autores da Filosofia e da Sociologia. Estou a falar de autores populares, incluindo Marx, Hegel e Malthus. Essa impreparação de base reflecte-se no primeiro ano do da licenciatura, mas gradualmente pode ser colmatado pela acção dos/as professores/as e por dedicação dos alunos/as. Quando isso não acontece chegam ao mestrado por vontade em prosseguirem os estudos, mas depois o caminho não é fácil. Tenho outra orientação com essas características.
Esta aluna que defendeu hoje vinha cheia de vontade, mas sem saber muito o que fazer. Fomos construindo o percurso conjuntamente e acabou por fazer uma grande pesquisa. A defesa não foi emocionalmente fácil, não é fácil lidar com a perda de um filho adolescente, para mais filho único. O orientador não é uma pessoa apenas racional, sente e preocupa-se. Sem esquecer que deseja o melhor para quem orienta. A doença mental anda a afectar muita gente, ninguém está a salvo. A cada dia aparecem notícias sobre casos semelhantes. Algumas pessoas até ditas bem da vida acabam por interromper essa mesma vida. Na juventude aquilo que se chamava crises existências ou depressão são situações agora ainda mais graves. As escolas e as famílias necessitam saber ler os sinais, mas não é fácil.
Por se tratar da minha colaboração com a Universidade Estadual de Campina Grande, na Paraíba, a imagem é uma das muitas que tirei ao Açude Velho, que a meio tem o chamado Museu dos Três Pandeiros ou Museu de Arte Popular da Paraíba, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Agora não que vou e volto, mas durante quase 2 anos na cidade era um dos pontos preferidos. É bom caminhar em redor do açude, embora cheire mal, assim como é bom sentar e, sobretudo, acompanhar espectáculos no interior ou exterior e visitar as exposições.