Aproxima-se o Dia Mundial do Ambiente, que acontece dia 5. Razão para que várias instituições consagrem a Semana ao Ambiente. Faz 28 anos que trabalho, em ensino, pesquisa e extensão na área por vezes conhecida como Ambiente e Sociedade. Ou se preferirem, Teoria social e ambiente. Nunca como agora me senti tão incrédulo quanto a estas efemérides.
Todos sabemos que a agenda pública tem modas e as incluem lucro por parte de quem a define facilmente colocam e retiram certos temas de destaque. Quem diria que a Conferência do Rio, realizada em 1992, iria passar um cilindro sobre parte do debate ambiental. Venceu a agenda neoliberal do desenvolvimento sustentável, ficou para trás a agenda do decrescimento. E o pouco que restou foi motivado por interesses sobretudo económico. Foi o que aconteceu com a Agenda 21 e os Orçamentos Participativos, que fomentaram o mercado de empresas de projectos e a proliferação de consultores. Pouco tempo depois, aquele que seria a grande prioridade ambiental, a crise climática, deu mais uma machadada na visão holística, sistémica e multidisciplinar do debate ambiental, ao concentrar as prioridades na transição energética e depois no debate ainda pouco concreto da adaptação climática.
Para quem está de fora pode ser indiferente ou apenas criticar por criticar, só que as coisas precisam ser vistas como são. A dita economia capitalista só gosto da natureza para lucrar. A sua capacidade de influência vai muito além de "comprar a opinião de alguém". É o próprio paradigma do cuidar do planeta que é ameaçado. De outro modo não se entenderiam os bastidores das COP e outras conferências, nem a presença em massa de quem mais ameaça o ambiente. Sem esquecer todas estas guerras por petróleo e terras raras, por commodities e santuários urbanos para a elite mundial.
Não admira que a degradação se agrave e a vulnerabilidade também. Cuidar do ambiente deveria também significar reduzir desigualdades, mas o planeta tem grandes áreas de sacrifício para suprir carências supérfluas. Precisamos apostar no decrescimento, o que não significa perder qualidade de vida. O problema é que passa pela redução do consumo e quem produz quer alimentar o fluxo.
Dia Mundial do Ambiente