Entre continentes

Dez anos e meio de luta

Completo 10 anos e meio desde que cheguei ao Brasil. Tem momentos nem sempre fáceis. Não sei se apetece desistir, mas dá vontade de tudo ter um fim. O que custa mais é a saudade, que não se resolve com uma breve viagem. Nesse quesito a questão é complexa, quanto ao custo e logística. Gosto do que faço, mas tenho limites, até pelo avanço da idade.
Não tem sido fácil continuar por cá. Vale a persistência, o apoio de amigos e o próprio currículo que tenho construído. Talvez em algumas áreas seja diferente. Na universidade a luta é diária. Sem horas de trabalho ou fins de semana. Não culpo ninguém, gosto de ir mais longe, de escrever, ensinar, participar, motivar e tudo o que estiver ao meu alcance. 
Algumas questões estruturais da vida eram capazes de me trazer se estivessem resolvidas, mas não me castigo. Tenho feito das tripas coração, usando o ditado popular. Gosto de sentir que os meus antepassados têm orgulho em mim estejam onde estiverem. É essa a minha grande motivação.
Perdi o meu pai 3 dias após completar 12 anos. Os meus pais na época eram emigrantes em França. Fui criado pelos meus avós paternos. A minha mãe pariu-me quando completei 18 anos. Teve uma vida muito dura ao permanecer em França como viúva e sozinha. Nos meus 18 anos regressou à terra. Cumpriu o sonho de construir uma casa. Mas os filhos já tinham atingido a maioridade.  Hoje com os seus 88 anos está óptima, o ausente do país sou eu. Apesar do contacto constante não é como estar presente. 
Como não sou do quadro, nem casado com uma brasileira, já passei por várias situações migratórias para me manter legal. Outrora era simples renovar o visto. Com este tempo todo já deveria ter autorização permanente. Fora essas situações nada tenho que me queixar. É verdade que tenho lutado muito, mas as várias inserções têm ajudado. Co-organizei vários livros, publiquei um número considerável de artigos científicos e outros documentos. Publiquei alguns livros de poesia. Claro que nada acontece sem fazer vida de emigrante: muito trabalho e número limitado de saídas. Estou a exagerar um pouco. Acontecem quando posso. O mesmo acontece com algumas viagens. Não penso publicar as minhas memórias, mas tem sido um caminho que me dá prazer.

A imagem é de 2022. Infelizmente essa árvore secou. O tronco fazia um círculo, acredito que teve mão humana quando jovem. Estava aqui a cerca de 200m na rua onde resido. Observava com encanto. 

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