Não sou de deusificar ideologias e autores, sendo que também não me rendo em dogmas, ainda que reconheça o seu papel do processo de interacção social e da construção da identidade, o mesmo é dizer, na cultura de um país e como se repercute nas escolhas e sobretudo dos padrões e normais sociais. Obviamente, que mesmo sem aderir somos todos influenciados, mesmo que seja na oposição e eventual reconhecimento. Neste último caso, pelo simples facto de não se demonizar o que não se gosta, aceita-se, sem adesão.

Fiz toda a minha formação em Sociologia, com uma passagem pelo mestrado de Comunicação, Cultura e TI, mas mesmo esse do departamento de Sociologia. Finalizei com doutoramento em Ciências Sociais, especialidade de Sociologia. Tudo isso em Portugal e a partir dos meus 26 anos, Iniciei tarde a minha formação e fui seguindo. Se tem um traço que marca a minha formação na área é da aprendizagem para procurar a diversidade, não nos ficarmos por um autor de referência. Ainda assim, o curso sempre esteve exposto a representações que o alinhavam politicamente à esquerda, o que não corresponde necessariamente À verdade. Claro que a própria Sociologia aborda a temática social, é a sua razão de existência, mas tem vários alinhamentos e não tem nenhum.
Apesar dessa minha formação bastante disciplinar a minha actividade profissional tem sido de cruzamentos disciplinares. Em 2024, foi a primeira vez que me senti verdadeiramente sociólogo nessa perspectiva rígida de trabalhar teoricamente a área. Não quer dizer que nas últimas décadas andei `margem, mas ou actuei em áreas fronteiras, como a Sociologia do Ambiente, ou estive em grupos interdisciplinares. Não quero dizer com isto que a minha formação esteve ausente, mas no contexto citado foi uma actuação para o grupo e não disciplinar. Sendo que por vezes, a minha abordagem também é da sociologia histórica, chega à geografia e outros desdobramentos até de áreas técnicas.
Em 2024 e 2025 leccionei no curso de Sociologia da Estadual da Paraíba. Foi como um regresso às origens, pois fiquei com a disciplina de Teoria Social I, a dos clássicos, bem como Sociologia Brasileira. Quando iniciei, Teoria Social I estava com Karl Marx na primeira unidade e com Durkheim e Weber na segunda unidade. O semestre é dividido em unidades, com notas por unidade. A minha decisão foi de incluir George Simmel na primeira unidade. Não tenho nada contra Marx, mas enquadra-se nessa ideia de deusificação, quando outros autores clássicos deram um contributo importante à Sociologia e Ciências Sociais. Poderia ter escolhido Pareto, Tocqueville ou outro autor clássico, mas optei por Simmel, até por já merecer da minha parte alguns aprofundamentos na temática do conflito, na sociologia do dinheiro, no debate sobre moda, metrópoles e outros.
A colocação da imagem foi sobretudo para verificar se o interface do blog muda, pois como surge não destaca os conteúdos.