Entre continentes

Contra os tempos

Em contexto de preparação de uma pesquisa conjunta ganhou relevo a questão da desaceleração, que nem é nova, mas que ganha gradualmente um lastro teórico consolidado e trabalhos empíricos a partir de experiências quotidianas organizadas, sobretudo nas áreas do turismo, lazer e procurar de alternativas fora o padrão sustentabilidade-transição.
Aceitei aderir à nova plataforma de blogs, ainda com expectativa de importar a minha Poesia na carne. Uso instantes para a escrita, mas outras tarefas exigem a tal desaceleração, que de momento acaba adiada. Tenho repetido que necessito reduzir o número de actividades, mas tenho é adicionado. Algumas expressões que aqui deixarei podem ser um mix de português de Portugal, é difícil ser de outra forma, com palavras e construção de frases do Nordeste brasileiro, região que me acolheu nos já 10 anos e meio.
A banalização do vazio a partir de algumas redes sociais é algo que me deixa perplexo. Como pode a comunicação social dar atenção ao namoro da pulga com o escaravelho? E como pode ampliar a visibilidade do beijo de uma inflenciadora a um macaco para ganhar cliques? O que é mais grave é que a discutida Sociedade do cansaço transforma-se na sociedade da resignação ou, talvez pior, na sociedade do ódio e da desconstrução sem argumento. 
A única promessa é que deixarei algumas reflexões, por vezes com formato de poesia, mesmo sendo crónica. Não quero o espaço para aprofundamentos ontológicos. As matérias científicas e similares deixo para os espaços institucionais ou ditos reconhecidos pelos pares. Aqui o espaço é de quem escreve pelos cotovelos, como quem fala com os joelhos. 

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