Desde a conferência de Estocolmo realizada em 1972, a primeira a discutir a temática ambiental e que está na origem do Dia Mundial do Ambiente, tivemos alguns avanços na resposta à degradação do planeta e maior envolvimento das pessoas, das empresas e das instituições. Nos primeiros anos dava a ideia que íamos conseguir reverter a caótica situação de diversos ecossistemas e a gradual escala global dos problemas. O problema é que a economia fala mais alto. E não é a economia no sentido social do termo, mas o que se tem chamado como capitalismo selvagem.
Apesar dos bons ares de Estocolmo e dos avanços subsequentes, a situação do planeta agravou-se a olhos vistos. Mostrando, que também as preocupações ambientais estão expostas a modismos e, sobretudo, aos interesses económicos. Quando convém vemos ganham destaque o valor dos ecossistemas, o papel das políticas públicas e a acção das populações na salvaguarda dos bens comuns. Mas de um momento para o outro uma certa ideia de desenvolvimento acaba por se sobrepor a uma ideia mais consistente de bem comum. Persistem visões baseadas na ideia de progresso e de crescimento económico que estão preocupadas com o curto prazo e com o que defendem ser a criação de empregos e outros atributos, mas que na prática enriquecem os promotores e as comunidades, como diz o povo, "ficam a arder", arcam com os impactos da degradação. Essa tendência é bem visível na expansão das energias renováveis, mas também na exploração de minério e na agricultura intensiva.
É verdade que a temática ambiental passou a fazer parte das preocupações quotidianas, mas tem revelado grandes dificuldades em passar à prática. Continua a ser vista mais como empecilho do que como vantagem competitiva. E não se consolida como valor ética, de uma ética prática colocada nas decisões diárias, em que se internalizem práticas que de facto não tragam mais degradação. As práticas ambientais, as poucas, são em geral coercitivas e não integradas como respeito por todos e pela natureza. E quando são coercitivas a tendência tem sido de falhar a fiscalização e "a culpa morrer solteira". Do ponto de vista do arcabouço jurídico-político haverá pouco a apontar, mas na implementação as coisas funcionam de outra forma. Quando cuidar do ambiente deveria ser como dizer bom dia, lavar as mãos, tomar café, agir cordialmente com os outros. Ou seja, deveria ser algo integrado nos nossos valores sociais.
Temos dado muito destaque aos combustíveis fósseis, se devem ou não ser eliminados e como os eliminar. Mas a questão central nunca foi essa. Portugal é o país europeu na qual os cidadãos mais dependentes estão do automóvel individual. E o mais interessante são sempre os argumentos: faltam transportes públicos, de qualidade e pontuais. Se esse fosse o único problema as pessoas não usavam o carro para irem fazer exercício ou para irem beber café a 300 metros. O carro é uma extensão da pessoa e o que quer ostentar e como usa a mobilidade para se cuidar. Temos muita coisa a mudar, mas nem tudo passa pela economia e tecnologia. Passa pela dimensão social de práticas, representações e mobilização no sentido de reverter a situação. Esperar que sejam as políticas ou as corporações a revolver o problema é empurrar tudo com a barriga.