Entre continentes

Canetas emagrecedoras

Nos últimos dias a comunicação social tem destacado a procura por canetas emagrecemos e não é apenas em Portugal. O tema tem merecido muita atenção igualmente no Brasil, só que não é pelas mesmas razões

Em Portugal deve-se a uma corrida a estas canetas para fins de emagrecimento, o que tem causado problemas por vezes aos diabéticos, uma vez que o medicamento surgiu inicialmente para ajudar a combater a diabetes. São públicos alguns casos poucos transparentes ou mesmo ilegais no acesso. O Verão é provável que aumente a procura

No caso do Brasil o tema é notícia pelo facto do país "ter quebrado a patente do Ozempic", ou seja, as farmacêuticas nacionais podem passar a produzir um medicamento equivalente, que não será genérico, ainda assim será substancialmente mais barato que o original. O Ozivy está a ser anunciado para venda nas farmácias a partir de 15 de junho. Tal como os similares não é oferecido no SUS ( Sistema Único de Saúde).

Seja qual for a marca tenho duas preocupações: no caso português reparo um aumento gigantesco relativamente às pessoas obesas. A partilha de notícias pelos meios de comunicação social está a ultrapassar os limites da decência. No mínimo podemos ler comentários do género "Oh badocha faz exercício". A questão da obesidade é mais complexa do que parece e não se limita ao sedentarismo. Seja como for, na época das disputas tudo serve para falar mal dos outros. 

O segundo problema diz respeito para a saúde. Vários estudos mostram que este tipo de terapia exige dependência. Parar de tomar significa voltar a ganhar peso rapidamente. Mas talvez esse seja um pormenor, assim como os possíveis efeitos secundários, designadamente náuseas, diarreia e mau estar. Alguém anda a evitar falar nisso, mas estas "insulinas" já foram associadas ao risco de cancro. 

Não lembro quando iniciei, mas acho que foi antes de 2016 que comecei a tomar Victoza, uma dessas insulinas do qual se fala. Menos falado por ser de primeira geração. Nunca me adaptei, pelo que tomava o mínimo, por conseguinte, a diabetes andava descontrolada. Em Dezembro a minha médica receitou-me Trulucity, essa sim, de última geração. Em um ou outro perdido deixo de sentir que está a fazer efeito, mas no geral tem permitido o controle da diabetes. Obviamente que a medicação não é só essa. Neste caso os efeitos secundários são praticamente nulos. Por vezes sinto predisposição para arrotar e parece-me a podre, de resto não sinto problema. Sinto uma diferença no fato do controle da diabetes não reduzir a vontade de urinar, mas aí pode ter efeito diurético. Não tomo para controlar o peso, esta terapia tem sido essencial para manter a diabetes em dia. Sinto até que emagreço mais do que desejo. Como aqui é tudo a pagar fica bastante caro.

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