Ganhava asas quando criança
Pulava nas ladeiras com desejo de voar
Com toda a inocência da idade
E o desconhecimento do mundo
Voava nas superfícies térreas da utopia
Chegava a esfolar os joelhos ao aterrar
Mas tudo isso era indiferente no acto
O que importava era o sorriso do sonho
A ideia firme de que tinha conseguido
Somos tão felizes quando a vida é mistério
E toda a fama é a que junta instantes de felicidade
Não se tratava de transgredir contra a natureza
Não me debruçava sobre a objectividade dos acontecimentos
O que contava era a experiência vivida
E a possibilidade de reproduzir uma narrativa de liberdade
Soltando na intenção o corpo e o pensamento
José Gomes Ferreira
* Curiosamente a imagem foi a que escolhi para a capa do meu primeiro livro de poesia. Foi tirada em Lucena, na Paraíba, norte de João Pessoa.