Entre continentes

As noites mal dormidas

Sempre tive problemas em ter noites bem dormidas, com o mínimo de horas de sono. Nunca deixei que tal facto tivesse influência no humor quotidiano. Tenho cara séria, sou sério, mas sempre bem disposto e de bom humor. É preciso encarar tudo isso com tranquilidade, o grande problema são os riscos para a saúde, que o mau humor ainda agrava.

Desde que me lembro sempre dormi pouco. Em situações de cansaço extremo adormeço mal de deito, por vezes quando me sento no sofá, mas recuperadas as forças acordo horas depois. Caso adormeça às 21 horas, o mais provável é que pela meia noite esteja desperto e depois seja difícil voltar a dormir. Já chegado ao nascer do dia geralmente durmo um pouco mais e isso é suficiente para recuperar. Digo que é suficiente, mas naturalmente tudo tem impacto na saúde. Acredito que agrave a minha diabetes. Depois é o ciclo vicioso do café. Durante o dia bebo café para ajudar a me manter lúcido, à noite é que o café decide fazer efeito.

Na aldeia, no Inverno, durmo melhor. Nas outras estações durmo pouco. Parte desta rotina mal dormida é possível que tenha começado com a vida no campo. Em particular no Verão era necessário sair de casa antes do nascer do Sol. Ficava em vigília para não falhar os compromissos, sobretudo a partir de meados da década de 1980, data em que passei a dormir noutra casa, sem mais ninguém, mas próxima a casa principal. Sempre fui o primeiro a chegar para o pequeno almoço e não precisava usar despertador. Quando é necessário ligo, mas a maioria das vezes acordo primeiro. Na época na aldeia tinha o benefício da sesta. Dava para recuperar forças. Isto quando não ia à boleia dar uma volta a Viseu com os amigos.

Na idade adulta não melhorei a qualidade do sono. Convém dizer que a minha mãe também sempre dormiu pouco. No caso dela toma comprimidos, no máximo tomei valeriana, mas até isso deixei. Como os dias são grandes no Nordeste brasileiro, começo a trabalhar por volta das 8 horas. O facto da universidade e a residência ficarem próximas permite almoçar em casa. Procuro ter o almoço pronto para descansar um pouco durante esse período de almoço. Não se trata de sesta, raramente durmo, mas se relaxar cerca de 30 a 40 minutos já me permite aguentar melhor o resto do dia.

Este semestre que agora termina dei aula à noite. Geralmente em outros dias tenho também reuniões ao fim da tarde ou já noite. O Sol por aqui pode nascer antes das 5 horas da manhã, mas antes das 17:45 já é noite. Tudo depende se é Verão ou Inverno, embora em termos de horas de Sol a diferença seja mínima. O fuso horário da região não é bom para o meu sono. Inicialmente achava estranho o Sol às 5 horas da manhã já estar a pique, agora procuro deixar-me embalar pelo amanhecer. O chilrear dos pássaros e as primeiras conversas das pessoas na rua criam uma boa atmosfera. É nesse momento que por vezes recupero parte do sono. O que é tudo relativo, pois levanto-me o mais tardar às 7horas. 

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