Entre continentes

Ansiedade da partida

Ainda falta quase 1 mês e já estou em modo "ansiedade da partida". A viagem custou os olhos da cara (ou como aqui se diz "custou um rim"), mas é importante que vá a Portugal. Além de questões particulares a tratar tem a minha mãe, razão mais do que suficiente. No pós-pandemia perdi o acesso às consultas na Associação de diabéticos e se tudo der certo retomarei agora. 

Na época, segundo decisão do governo português, se estivesse mais de 1 ano sem consulta perderia o direito. Para o reactivar esperei 2 anos para ter consulta com a médica de família. Convém esclarecer que não se deveu à indisponibilidade da unidade de saúde, apenas não tinha disponibilidade quando eu viajei por Portugal. Essa necessidade de fazer prova de vida através de consulta é um absurdo, em muitos momentos a consulta não é prioritária, é suficiente a renovação da medicação. Digo isto, mas a APDP é espectacular no atendimento. A consulta nunca é apenas a consulta em si, tem análises gerais, também à retina, aos pés, por vezes igualmente com a nutricionista, etc, etc.

Voltando ao tema, regressei de Portugal no início de Fevereiro e após ter sido afectado em Leiria pela tempestade Kristin. Não faz muito tempo, mas as razões que apontei e outras pessoais justificam a ida. Infelizmente, na mesma data realiza-se no Rio de Janeiro o Congresso de Sociologia da América Latina, o ALAS. Preparei-me para estar presente, mas não poderei ir. Dá para mitigar com a idade de co-autores das propostas submetidas, mas é sempre um evento interessante para consolidar a rede de contatos. 

Passarei cerca de 20 dias em Portugal. Com algumas questões em agenda vão passar rápido. Desta vez farei o percurso normal de Natal a Lisboa, mesmo assim ainda precisarei viajar para Lisboa a meio da estadia. Tenho ficado na terra e de lá apanho o comboio ou o autocarro para onde preciso. Não sei se irei igualmente a Leiria, como será período de férias talvez não, está tudo fechado. A ideia de ter férias em período de férias é apenas uma ideia. Tenho várias actividades aqui do Brasil que precisarei acompanhar. Mas estar com a família e amigos de infância já renova o alento.

Este semestre foi desafiador. Eu sempre trabalhei muito, não é novidade. Mas este semestre com aulas na licenciatura e em duas turmas de pós-graduação foram esgotantes. Mais ainda por serem em universidades diferentes a 280 kms de distância. Sem esquecer outras actividades, a organização de um livro, submissão de 2 projectos, submissão para eventos e revistas por aí vai. A ansiedade também resulta de tudo isso. Sei que não vou parar, mas respirar um pouco faz bem. Até lá ainda tenho o stress da avaliação, sobretudo de duas turmas de licenciatura. Ainda vou penar um pouco.

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