Entre continentes

Alunos portugueses e alunos brasileiros

Em Portugal gostamos de alimentar a ideia de que somos superiores, no Brasil em muitos aspectos não é diferente, mas como o país é grande essa presunção pode ser regionalizada. Vem isto a propósito da formação dos alunos portugueses e dos brasileiros. Teoricamente os portugueses deveriam sair com uma formação melhor, seja o que isso for. Digo isto tendo em conta o ponto de partida. Em Portugal existe maior equilíbrio entre os diversos graus de ensino, assim como entre o ensino público e o privado. No caso do ensino universitário não será exagero dizer que é melhor que o privado, rivalizando com algum polo da Católica em alguns cursos. No Brasil a questão é diferente, porém, em termos de produção académica, ensino e extensão, o destaque quase exclusivo vai para as universidades públicas.

É bom referir que quem estuda nas universidades públicas brasileiras pode ter um perfil de vulnerabilidade social, económica e outras. Não é apenas a dita classe média, que no país é uma parte não superior a 30%, são os mais pobres. Tem os vários sistemas de quotas e apoios que ajudam, embora ainda seja preciso percorrer um longo caminho. Claro que nem tudo é bom e tem muito aproveitamento em tudo isso, mas isso é outro tema.

No chamado Ensino Fundamental (os primeiros anos) e no Ensino Médio (o nosso Secundário) em muitos casos a formação é deficitária. Faltam disciplinas como Filosofia e as condições mínimas para os alunos estudarem e se motivarem. Na estadual da Paraíba leccionei para um turma de Sociologia na qual a quase totalidade dos alunos nunca tinha tocado num computador, bem como não conhecia autores como Hegel, Malthus e mesmo Marx. Em outra turma a experiência foi diferente, pois mesmo não tendo as bases o gosto por aprender foi fabuloso. Aliás, as duas turmas mostravam esse gosto, mas aí depende do objectivo do curso, da idade e outros factores.

Tal como os alunos portugueses, o maior problema é a leitura. Não é apenas a inteligência artificial, os alunos raramente liam antes da IA. E sem ler não se pode aprender, dificilmente vamos conseguir interpretar e ter posicionamentos minimamente indagadores da realidade. Por vezes nem a chamada conversa de café flui. Tudo isso acaba se repercutir também na escrita. Incentivei a criação de um blog científico, que coordeno. É sempre uma dor de cabeça ter artigos com o mínimo de qualidade. Isto para não dizer que é difícil ter qualquer artigo para publicar.

Tive vontade de fotografar um livro para foto de destaque, mas coloquei uma imagem do Sul de João Pessoa, tirada em Agosto de 2015, no início desta etapa que depois me trouxe ao Brasil. Nessa data vim apenas para dar uma palestra.

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