O problema não é os reclusos irem limpar matas, o ar puro até lhe faz fez e a actividade física complementa. O problema também não é os beneficiários da prestação social única prestarem trabalho social. Tem outros problemas estruturais que podem ganhar visibilidade. Em primeiro lugar, a despesa pública com a própria logística de campo. Em segundo lugar a tradicional seletividade. Se a justiça tem filhos e enteados esse tipo de medidas vai expor vários episódios. Vamos ter muitas notícias para a Tânia Laranjo denunciar. Os políticos e afilhados presos ou beneficiários da prestação social única também vão bulir? Tenho muitas dúvidas que uma medida que se diz justa faça realmente justiça.
O burburinho tem uma agenda própria, quer extremar posições e incentivar o conflito. Ninguém está interessado em consensos, pelo contrário. A adversidade já serviu a dita extrema direita, agora é usada com requinte pela extrema direita. Nenhum partido está interessado no desenvolvimento do país, estão apenas interessados em manter protagonismo da agremiação ou de quem lidera. A comunicação vive de publicidade e apoio público, serve o interesse das corporações. Ninguém quer eleições, mas para manter um governo minoritário as cedências são muitas. As geringonças são boas para uma aparente estabilidade, resta saber a que custo.
O Sr presidente tem dado boas indicações. É um estilo activo de ocupar o cargo. Mas presidente não é governo e quem decide é o governo e a Assembleia da República. Haverá mais vetos, parte é para derrubar. O problema é também o diálogo na sociedade portuguesa. Na verdade a falta de diálogo. Vivemos em permanente tensão e a ideia de caos gera belas palavras de ordem. E se Portugal ganhar no jogo de matrecos vai ser uma festa. Futebol, cerveja e garganta fresca são a mistura ideal para derrubar democracia.
Na imagem reproduzo um título do Correio da Manhã que esteve algumas horas no ar. O caos é tão grande que ninguém reparou que o quartel tinha dispensado os soldados, pois no fim de tudo era cartel.