Entre continentes

A polarização ofusca as prioridades 

A polarização política pode estar a ignorar prioridades e problemas transversais que é necessário resolver. Por outro lado, problemas como a violência de gênero podem estar a aumentar em face dessa polarização. Precisamos dialogar mais e ter menos propaganda com conflitos abertos

Quanto aos problemas que parecem não serem prioritários cito os casos, embora sejam, no Brasil dou o exemplo dos acidentes de moto, em que 60% dos internamentos são derivados a estes, com consequências nos internamentos totais e mortalidade. Como é o meio de transporte mais barato e acessível, as cidades estão cheias de motociclos. É verdade que se registam excessos por parte de quem conduz, mas os carros não podem ser reis e senhores. O problema das motos, como sabemos, é que qualquer toque pode ser fatal para quem guia e quem for como pendura ou a seguir na garupa, como se diz por cá). O problema exige medidas urgentes e acompanhamento. São famílias destroçadas e é prejuízo para as empresas que perdem trabalhadores e para o estado que precisa prestar socorro.

No caso português poderia escolher o mesmo exemplo, mas face à grave falta de lares para idosos vinculados à Segurança Social esse parece-me ser um dos problemas de maior urgência e gravidade. Não basta o Estado identificar lares ilegais, necessita apoiar alternativas. A questão do valor das pensões e a idade é importante, a oferta de camas em lares é prioritária. Abrem vários lares privados, podem até complementar a rede de oferta. Mas quantas famílias podem pagar um valor médio de 3 mil euros para que o seu parente seja acolhido? 

Não adianta culpar os parentes e considerar que a responsabilidade pelo cuidado dos seus idosos é sua. Nem todas as pessoas têm condições de deixar de trabalhar para cuidarem dos familiares idosos. O modelo de família não é mais o mesmo. Pelas situações que acompanho, familiares e não só, o défice já ontem existia. Se hoje não o tentamos resolver teremos cada vez mais idosos votados ao abandono. 

A imagem de capa é meramente ilustrativa. Não tem qualidade. Data de 2012. Mostra a cidade do Porto e o Douro a partir do cais de Gaia, com um barco rabelo em primeiro plano.

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