Duas notícias de hoje, uma referente a Natal e outra a uma cidade do vizinho estado da Paraíba, em concreto em Cajazeiras, no limite Oeste do estado, mostraram a presença de animais selvagens no contexto urbano. Em ambos os casos foi na sequência das fortes chuvas que caíram, mas esses episódios são frequentes. Quanto à chuva, no caso da zona Norte de Natal os dados apontam para 150mm, o que em 24 horas é muita precipitação. Em Lisboa a média anual é apenas de 774mm.
No caso de Natal um jacaré surgiu na zona urbana, com todos os riscos que comporta. Em Cajazeiras foi uma jiboia. Não tem tanto perigo, mas em Portugal os javalis invadem as aldeias e podem atacar as pessoas. Geralmente estes casos estão relacionados à perda de habitat ou perda de biodiversidade. No caso dos javalis será a ausência de predadores que facilita a proliferação da espécie.
Uma época lá pela terra, em resultado de terem levado esquilos para o Parque do Fontelo, em Viseu, havia esquilos em grande parte do distrito, eram lindos, mas era praga e um desequilíbrio na natureza. É habitual avistarem-se raposas a atravessar a estrada seguidas dos filhotes. Mas essas no máximo roubam galinhas.
Nos casos brasileiros haverá um conjunto de factores que levam à repetição destes casos. No litoral a alteração do habitat pode ser o principal motivo, dada a pressão urbana e do turismo. Mas os casos repetem-se também em áreas rurais do interior. Pode ser falta de predador, como pode ser em resultado da subida de temperatura ou motivos locais específicos.
Na zona Sul de Natal é habitual a presença de animais selvagens dada a presença do Parque das Dunas, um parque urbano integral de Mata Atlântica. Na própria universidade por vezes aparecem iguanas. Tem corujas em todo lado. Mas nenhum desses animais é perigoso. Ao longo da avenida de acesso à praia de Ponta Negra, é o caso da imagem, já me cruzei com diversos animais, sobretudo lagartos de vários tamanhos, por vezes mais de 1 metro, iguanas, muitas aves e até uma cobra subterrânea com duas cabeças, à frente e no que seria o rabo. Em princípio nem esses lagartos enormes são perigosos. Porém, esse maior, o teiú ou tejuaço, que pode atingir 1,5m, ao abanar com a cauda por ferir quem se aproximar.