Os terramotos ocorridos na Venezuela devem nos fazer repensar e agir em vários domínios. Um deles foi bastante divulgado pela comunicação social. O sistema Android enviou alertas segundos antes dos terramotos, o que pode ter salvo muitas vidas. O bom uso da tecnologia e a sua universalização deve sempre ser equacionada.
A outra questão a repensar, que vem pelo menos desde o Marquês de Pombal, relaciona-se com a malha urbana e como construímos casas e grandes blocos de apartamentos ou escritórios. Falamos muito no tema, mas ainda estamos muito distantes do detalhe dos japoneses. Não investimos na prevenção e depois as companhias de seguros fazem de tudo para o nosso seguro ter cobertura contra sismos. Ainda nos perguntamos: mas não tinha ampla cobertura? A percepção da desgraça parece ser mais uma forma de alguém retirar benefício.
Outro aspecto extremamente importante relacionado aos terramotos venezuelanos diz respeito ao elevado número de vítimas. Primeiro, não se entende o motivo do primeiro-ministro Montenegro ter ido acompanhar o futebol e não ter acompanhado o drama de várias famílias luso-venezuelanas. A Venezuela, tal como a África do Sul, sempre atraiu muitos portugueses, sobretudo do arquipélago da Madeira, é natural que o drama afecte a comunidade portuguesa. Os que desdenham dos portugueses pelo mundo são bem capazes de argumentarem que esses não são portugueses genuínos, leia-se, brancos e nascidos em Portugal. São meras teses xenófobos. Os terramotos da Venezuela mostram o quanto estamos integrados em vários países e talvez em números superiores aos que acreditamos.
Em Portugal tem muita gente hostil relativamente aos brasileiros, mas que ignora que o Brasil é o país como maior número de portugueses e luso-descendentes. Além da questão colonial, foram vários os momentos em que o Brasil recebeu emigrantes portugueses. Em Florianópolis destaca-se a herança de emigrantes açoreanos, no Nordeste tem muitos ditados antigos que fazem lembrar o Centro e Norte de Portugal, mas olhando de perto o falar nordestino lembra os pescadores e agricultores algarvios. Independentemente na política que tomou conta da Venezuela e de todo o descalabro, os portugueses sempre foram determinantes nos pequenos negócios. Aliás, à semelhança da África do Sul e das padarias de portugueses em São Paulo e outras cidades brasileiras. Portugal não é apenas dos portugueses nascidos, é certa e justamente fruto igualmente da diáspora.
A imagem foi gerada no Co-pilot, a quem pedi para gerar uma imagem da diáspora portuguesa.