Faz hoje 10 anos e 6 meses que cheguei a Natal, capital do estado do Rio Grande do Norte com o intuito de ficar algum tempo. Na época vinha para realizar pós-doutoramento na Universidade Federal, já dei várias outras voltas e tive diversos vínculos. Nem sempre foi fácil, mas Portugal também tinha pouco para me oferecer. O Brasil tem teoricamente a vantagem da língua, embora não seja algo assim tão linear. Normalmente os portugueses destacam as representações negativas, embora o Brasil não seja para principiantes, assim diz o povo, tenho sobretudo a dizer bem.
Claro que assumo o perfil de emigrante, o que significa foco e dedicação com o trabalho. Mesmo assim não teria as mesmas oportunidades em Portugal. O facto de ter um currículo trazido de Portugal com alguma experiência ajudou. Mas nem tempo é como parece, pois alguns conceitos e paradigmas têm outra abordagem, o que nos desafia a aprender quando tudo de novo. Tal não significa que uns estejam certos e outros errados, apenas que são realidades distintas, com uma herança histórica determinante. Continuo a falar com sotaque lusitano, mas pelo conhecimento no terreno, em sala de aula e outros contextos sou tratado como um igual.
Tem quem se apresse a dizer que o país não é desenvolvido e tenha a tentação a desconsiderar a ciência brasileira. A prepotência e a soberba acentuam o desconhecimento. Alguns cursos e universidades necessitam melhorar, mas no geral tem universidades de excelência. O maior problema não será a qualidade do ensino superior, e falo aqui do ensino público, mas da preparação dos alunos nos graus anteriores, sobretudo no ensino médio, equivalente ao nosso secundário.
Não sei o futuro, mas por agora quero ficar um pouco mais de tempo por aqui. Sinto vontade e necessidade de abrandar, mas acabo por aceitar tudo e me desdobrar entre actividades. Havendo saúde assim continuarei. A maior preocupação é o avanço da idade da minha mãe. Tento estar próximo à distância e viajar sempre que posso.