Entre continentes

Setembro

Sem qualquer arrependimento do enlace e do desenlace, casei em setembro de 1989. Tempos passados.

Setembro passa por nós como amor estival
Como mês de colheitas e recordações 
Em que tudo segue o impulso da convergência 
E os passos ultrapassam a hesitação

Setembro é o mês de recolher o que a terra dá 
E cumprir nas romarias as promessas feitas
Incluindo subir ao altar como quem celebra
E se une na perpetua crença da união 

O futuro nem tudo deixa junto
Mas Setembro muda também as cores e a natureza 
Estampa a alegria de grandes projectos
Com o sorriso aberto da primeira vez 

Setembro é a utopia dos continentes
Feita nos beijos trocados no fim de tarde
Com o céu pleno de cor e Horizonte
Com muitos caminhos abertos à nossa frente 

José Gomes Ferreira 

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