Entre continentes

Memórias de Lisboa: restaurantes indianos e tibetanos

Antes da retórica anti-imigração tomar conta dos portugueses, lembro com saudade daqueles tempos em que a ida a um qualquer restaurante indiano ou nepalês era um acto em prol do acolhimento do mundo e da globalização. Fui várias vezes com a minha querida amiga Sara, que não vejo vai para uns 20 anos, a muitos destes espaços. Levei muitas outras pessoas e fui levado, não lembro quando fui pela primeira vez. Sei apenas que sempre foram boas experiências gastronômicas e bons momentos. 
Lembro em particupar do restaurante Everest, ali quase na Baixa, que depois abriu outro espaço na Avenida do Brasil. O da Baixa parece ainda existir, fica na Calçada do Garcia, virando a esquina no Teatro D. Maria. II, quem sobe para o hospital de São José. O da Avenida do Brasil é/era um espaço amplo e bastante concorrido. Nenhum deles era naquele modelo de menu para empanturrar turista. 
O mais refinado de todos sempre foi o espaço Os Tibetanos, na Rua do Salitre, com outra filosofia, é o primeiro restaurante vegetariano de Lisboa, já com décadas. Obviamente que não são indianos, são monges tibetanos. O espaço conta com uma pequena loja. Outrora além de alimentar o corpo, cuidava do mesmo e da mente, com oferta de várias actividades. Se a memória não me falha passei a frequentar o local no final da década de 1990, pois tinha uma colega que tinha deixado a universidade e passou a trabalhar a poucos metros num órgão público. 
Entre outros restaurantes puramente indianos na cidade de Lisboa, existia um numa cave na Avenida Duque de Loulé. Com a minha amiga Sara já citada fui várias vezes, assim como com outras pessoas. A memória que tenho é que a ASAE ou equivalente consideraram que o restaurante não tinha condições de segurança para funcionar, nomeadamente saídas de emergência. Os proprietários acabaram por transferir o restaurante para um hotel existente na mesma avenida, à direita quem sobe. Fui várias vezes, mas não lembro se permaneceu aberto.
Mas em Lisboa a oferta do que agora dizem ser propriedade de indostanicos era muita. No caso os ligados ao Tibete e Everest, embora fora desse eixo, eram uma descoberta complementar. No Bairro Alto abriu um restaurante goês, mas mais elitista. Na Graça havia oferta dentro dos próprios espaços familiares. 
Isto tudo para mostrar que estas famílias não só foram plenamente aceites, como se integraram desde o início. Claro que chegaram à cidade muitas pessoas e provavelmente muitas pouco recomendáveis. Mas a hostilidade e a violência ganham repercussão através dos canais da ideologia política. 

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