Do Capibaribe o rio fora
A cidade colorida e comercial
Com amores surpresa suspensos
A luz e a cor no manifesto pós-colonial
E a fruta no mercado ali ao lado
Que chega a dar vida a tantos canais
Do Mondego também chega vida
A paisagem que querem transformar
O progresso é a lâmina de dois gumes
Desenvolve e acaba com o equilíbrio
O rio corre quase vazio esse Verão
Outrora o povo ia a banhos ao Domingo
Os protestantes realizavam baptismos sem medo da poluição
A memória é também do rio Liz
Atravessa Leiria e parte da minha vida
A curva que faz é para análise
Chegará ao mar a horas incertas
Percorre séculos e intervenções
A mim dá-me razão para esta escolha
Ainda aguardo tempo para o Potengi
Que no seu leito deixa o Sol se pôr
E cujas pontes ligam mundos à parte
O Tejo ficou longe, mas não esquecido
É cais de espera e contemplação
A história no próprio inventário das águas e dos navios
José Gomes Ferreira
* Capibaribe é o rio que serpenteia a cidade de Recife. Faz agora 11 anos que me cruzei com o rio e com a cidade. Na época quis estudar o rio, mas acabei em Natal, apesar disso tenho poucas vivências com o rio Potengi. Talvez não seja apenas eu, o rio parece surgir principalmente como dificuldade para transpor e uma barreira que divide a zona Norte de Natal, como zona popular e pobre, da zona Sul e Oeste da cidade.