Tem quem tenha medo da solidão
E confunda barulho com vibração
Tem quem se exponha
E evite confrontar as próprias escolhas
Não somos todos iguais no feitio
Sempre escolhi o recato e a posição
O privilégio do silêncio e da memória
O deflagrar do sentimento e da imaginação
Vivo só apenas na condição
Não abandono a opinião e o papel de observador
Não vivo sem projectos e ideias
Mesmo que evite a multidão
Solidão não é apenas a falta de companhia
Nem a espera pelo lugar de compaixão
É também abdicar de metas e sonhos
Caindo no conformismo do corpo e das mágoas
Claro que nem todos os dias são perfeitos
E nem todas as horas são iguais
A autonomia é para quem a assume em consciência
Sem rejeitar o amor e o brilho da interacção
José Gomes Ferreira