Ainda que, obviamente, não concorde com todas as acções e decisões agrada-me a forma do Sr. Presidente António José Seguro exerce o cargo. Devo dizer que no passado partidário fiquei desiludido com a forma como se deixou vencer por António Costa, mas a vida é assim, nem sempre achamos que vale a pena lutar ou o momento não é o mais indicado.
Mais do que os trajes da esposa e do próprio gosto muito destas imagens nos afazeres do campo. Reforça que se quer sentir entre iguais e não necessariamente superior. Bateu até saudade dos tempos na vindima. No canpo é um momento em que todo mundo sempre participa na vindima de familiares e vizinhos. Uma ou outra vez ganhei dinheiro, mas na região do Dão as vinhas são pequenas, por vezes limitam-se aos chamados cordões a rodear as fazendas. A maior azáfama sempre foi a vindima para colocar as uvas na cooperativa, já que o dia precisava ser respeitado. Na tal vindima para casa, mais um dia ou menos um dia era indiferente. Nessa vindima para casa o melhor momento era o de pisar as uvas. Calquei muitas, geralmente ao anoitecer.
Dois factos se destacam actualmente. Primeiro, as cooperativas praticamente desapareceram, o que reflecte o envelhecimento da população e abandono da agricultura tradicional. As vinhas renovadas são de produtores engarrafadores, muitas cooperativas e similares faliram ou foram vendidas a privados. No Dão as cooperativas de Mangualde e Silgueiros têm resistido de forma destacada. Segundo, até praticamente à década 2000 era impossível em grande parte do país a vindima ser feita em Agosto. Somente no início do mês muitos cachos tinham "pintor" (quando as uvas tintas ganham cor). A mudança rápida do clima está a afectar a produção não apenas no calendário, mas na necessidade de regar a vinha e igualmente quanto ao impacto de diversas pragas. O mesmo acontece com o olival.
Voltando ao tema do Sr. Presidente, é bom este fazer-se sentir na vida quotidiana. Ainda é cedo para tirar conclusões sobre o mandato. Em um ou outro tema talvez não seja de "deixar ir". Entendo que não queira intervir na acção do governo e que defenda que o país precisa de paz institucional. Jorge Sampaio com menos atribuições demitiu Santana Lopes. São estilos diferentes e momentos da nossa história também diferentes. Sem esquecer que o exercício do cargo restringe os poderes do presidente. Mais importante que derrubar governos é a mensagem que deixe aos portugueses como garante da estabilidade e funcionamento das instituições.
Boa vindima Sr. Presidente